Coisas de menina

Postado em Meu Mundo em janeiro 15, 2012 por Roberta Forster

Suspiro: sentimento que nasce admiração crescente por aquele que encanta. Ceder a esses encantos não é lá muito difícil. Na verdade, dadas as devidas circunstâncias, é consideravelmente fácil. Basta um tropeção, mera distração ou desvio de atenção, para envolver-se com o charme que, se não lhe é inerente, é consequência da posição. Posição injusta que impõe a unilateralidade, mas que desperta uma onda de suspiros platônicos e de idealizações que enxergam, em cada gesto, o olhar da pessoa amada. São apenas coisas de menina.

A arte da existência

Postado em Nosso Mundo com as tags , , , em janeiro 10, 2012 por Roberta Forster

O universo artístico é, dentro de suas variantes – sejam elas as artes plásticas, a música, a literatura, o cinema, a fotografia e todos os desdobramentos de cada categoria – o meio de expressão humano em qualquer momento da história. Desde os primórdios, a arte se mostra, através de registros pitorescos nas cavernas e pequenas esculturas, como a Vênus de Willendorf do período paleolítico, um espelho para a sociedade à qual ela pertence.

A manifestação artística é, portanto, inerente à humanidade. A arte reflete pensamentos e ideias pertencentes a um determinado tempo. Ela é também fundamental para quebrar paradigmas dessas mesma ideias estabelecidas e arraigadas, além de resgatar antigos valores, sejam de ordem ética ou moram, dando a eles uma nova roupagem e fazendo a releitura necessária para adaptá-los à atualidade corrente. Tal processo é perfeitamente exemplificado com o Renascimento Cultural da Europa medieval, o qual buscou resgatar valores da antiguidade greco-romana.

História e arte, dessa forma, caminham lado a lado em uma relação de mutualismo. E, sendo a arte um reflexo da sociedade e do momento histórico, é fácil, talvez, entender os rumos artísticos da contemporaneidade. Ela nasce de uma postura social consumista-individualista que transformou o universo artístico em um mero mercado, tão vazio quanto o próprio âmago existencial.

O pensamento contemporâneo, portanto, engloba todo o comportamento capitalista e, concomitantemente, encontra o caminho entre artistas que, de uma forma ou de outra, buscam preencher esse vazio deixado pelo consumismo e individualismo, refletindo e resgatando valores existenciais por vezes esquecidos, garantindo o movimento pendular que caminha entre as correntes artísticas ao longo de toda a existência humana.

Retrospectiva 2011

Postado em Meu Mundo em janeiro 2, 2012 por Roberta Forster

Os ajudantes mágicos do wordpress.com mostram as estatísticas de 2011 para esse blog.

Eu gostaria de agradecer ao meu pai, à minha mãe, a você e a todos os amigos da escola.

Os números:

Um comboio do metrô de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 6.900 vezes em 2011. Se fosse um comboio, seriam necessárias 6 viagens para que toda essa gente ser transportada.

Clique aqui para ver o relatório completo!

Onde está o seu Ano Novo?

Postado em Nosso Mundo em dezembro 30, 2011 por Roberta Forster

Eu desejava produzir um texto para o ano que chega, como costumo fazer nessa época festiva. Mas, por alguns dias, pensei que, nos anos anteriores, eu já tivesse esgotado tudo que eu eu poderia escrever sobre o ano novo e que para a virada 2011-2012 não viria nenhuma produção literária. Até ouvir, de uma professora, a seguinte pergunta: “Onde está o seu ano novo?”. A pergunta, por mais simples que possa parecer, ofereceu-me muita reflexão e gerou ideias para um novo texto a respeito dessa época que tanto nos enche de expectativas.

A virada do ano é uma data simbólica, representa o fim de um ciclo e início de outro, é natural, portanto, que venham com ela tantas esperanças e façamos tantos planos e promessas para os ano que nasce. No momento em que chega a meia noite de 31 de dezembro, abraçamos nossos familiares e amigos, desejamos os melhores votos, estouramos frisantes, fazemos promessas e todo tipo de ritual em busca de sorte: oferecer flores à Iemanjá; pular sete ondas; comer lentilha; colocar folha de loro na carteira. E então passam os dias, meses, e tudo aquilo que desejamos com tanto entusiasmo, cai no esquecimento.

Desejar o melhor para nós e os nossos é fácil, difícil é dar um real significado a todos esses votos de final de ano, afinal, de nada adianta o calendário seguir em frente se nós continuamos estagnados. E é aí que entra a pergunta: onde está o seu ano novo? O ano novo pode ser seu aniversário, um dia qualquer que, por algum momento epifânico, você resolveu mudar; pode ser ele todos os dias, a cada dia uma mudança gradual.

Portanto, ao chegar o primeiro segundo de 2012, celebre, beba, coma, reze, ritualize, deseje e faça promessas, mas dê significado a tudo isso. Seja qual for seu desejo, esteja você prestando vestibular e almejando a tão sonhada vaga na universidade, planejando um novo emprego ou entrar em um relacionamento bacana, saiba que é você — e só você — que pode fazer o seu Ano Novo.

É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.” (Carlos Drummond de Andrade – Receita de Ano Novo)

Regras para o namoro do século XXI

Postado em Meu Mundo em dezembro 2, 2011 por Roberta Forster

O namoro do século XXI vem, obrigatoriamente, de uma relação que começou descompromissada; amar é um efeito colateral deste primeiro passo. Apaixonar-se antes de dar os primeiros pegas, é brega. Primeiro fica-se a fim e, após sondar o território, começa-se a flertar e a esperar respostas. Caso sejam positivas, basta então começar a investir diretamente para aproveitar o bem bom. Demonstrar qualquer sinal de sentimentos mais profundos é proibido, declarações de amor e bem querer estão fora de moda. Mostrar-se desencanado, ainda que não esteja de fato, é essencial; manter a relação enrolada sem definir para que lado vai é o caminho para um namoro que provavelmente não vai acontecer e vai lhe deixar muito frustrado, mas você supera, porque está no caminho certo. E então você parte para outra e segue os mesmos passos, de novo, e de novo, e de novo…

Até a última gota (de água ou de paciência)

Postado em Nosso Mundo em dezembro 1, 2011 por Roberta Forster

Há algum tempo se espalhou no Facebook um vídeo, encabeçado por atores globais, que convoca todos a se juntarem à campanha “Gota D’água” para impedir a construção da usina de Belo Monte.

Como resposta, estudantes da Unicamp elaboraram um outro vídeo, intitulado “Tempestade em Copo D’água?”

O discurso levantado por esses alunos, apesar expor o outro lado da moeda, é também tendencioso, aliás, como costuma ser todo discurso, afinal, a ideia ao se expor uma ideia é, normalmente, convencer o eleitorado.

Ok, o conceito do projeto Gota D’Água é falacioso e suspeito, mas este último também não convence por completo. É claro que não existe fonte totalmente limpa de energia, nem mesmo as tão aclamadas energia eólica ou solar, e, no modo de vida que levamos hoje, a demanda por eletricidade é cada vez maior; mas a quem essa usina beneficiará? Para quem de fato vai todo o recurso elétrico gerado? Será o dinheiro público empregado em uma usina que atenderá ao país ou a interesses privados, como a produção energia para a obtenção do alumínio? Bom, mas isso parece certo, vai movimentar a economia, legal! É ótimo para o país, não é? Claro, usar o dinheiro público para fazer uma usina nacional que atenderá essencialmente a interesses privados é realmente muito justo.

E só porque e uma quantia em dinheiro, muito maior do que o orçamento da obra em questão, é enfiada em nobres cuecas sem o menor pudor e o desmatamento da floresta pela construção de Belo Monte é pífio perto daqueles acarretados por outras práticas, a execução desse “belíssimo projeto” se justifica? Isso é quase mesmo que dizer que um político que rouba, mas faz, pode continuar no poder porque outros também roubam, entretanto, nada fazem! Ora, se o dever de um político é servir ao Estado e à Nação de forma íntegra e o nosso dever é justamente cobrar de nossos representantes essa conduta, é também dever de todos pensar na melhor solução, tanto econômica quanto ambiental, ao desenvolver qualquer projeto nacional, e não justificar um erro ao apontar para erros maiores.

Sobre as fontes alternativas de energia, é claro que seria insano pensar em usinas eólicas ou solares para sustentar a demanda energética de um país tão grande tanto econômica quanto territorialmente, mas poderia ser o caso de pensá-las como meio de produzir ao menos a energia que aquece nosso chuveiro, uma vez que o grande vilão nas campanhas ecológicas de economia elétrica é justamente o próprio.

Mas o Brasil é um país emergente, já é uma das economias mais fortes do mundo, integramos o G20, fazemos parte dos BRICS, precisamos de energia para crescer! Vamos então participar desse projeto que vai alavancar ainda mais o crescimento! Só se esqueceram de mencionar que todo esse lucro é sempre compartilhado entre o rei e os amigos do rei.

Coloquemos os fatos em pratos limpos, afirmar que Belo Monte é um belíssimo projeto é um tanto quanto exagerado; ele pode não ser o monstro de sete cabeças que pintam os ambientalistas, mas está longe de ser um panda fofinho. Se por um lado os atores da Globo estão exagerando e distorcendo os reais fatos, o discurso desses estudantes está um tanto quanto ufanista, eles estão praticamente nos convocando a integrar uma massa de “Policarpos Quaresma¹”.

Brasil, esse é um país que vai pra frente! Enquanto isso, a população fica para trás. A eles, a Champagne; a nós, o guaraná Dolly.

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1. Referência à obra Triste Fim de Policarpo Quaresma, romance folhetinesco brasileiro pré-moderno, de autoria de Lima Barreto.

À ética

Postado em Meu Mundo, Nosso Mundo em outubro 19, 2011 por Roberta Forster

Por que me colocas tu à prova
tu quem tanto defendo?
Quem és o oposto de ti
tu que a mim à entidade metafísica
do sobrenatural equivale?
Tu, que em minha Carola resides
e não me abandonas
e estará ali para apontar-me o indicador
ao ver-me cair em tua ardilosa armadilha.
Que queres tu provar ao testar meus limites
e encontrar minhas falhas
e me ver negar tudo quanto sempre preguei?
Não aos céus, mas a mim e aos meus.
De ti sabes que não posso fugir
e queres não que eu apenas seja forte
mas que eu não tenha um calcanhar de Aquiles.
Saibas tu que não desistirei
em ti acredito e por ti enfrento
posto que tu insistes em mim desacreditar.

Ser Professor é ter amor, é ser ator

Postado em Nosso Mundo em outubro 15, 2011 por Roberta Forster

Há um tipo de profissional sem o qual não seria possível o aparecimento dos demais. Essa figura, essencial para a sociedade, é conhecida pelo nome de Professor. Sem Professor não haveria médicos, físicos ou matemáticos, não existiriam biólogos ou veterinários, sem Professor não existiriam sequer professores; nesse ponto chegamos a um paradoxo sobre o qual não pretendo iniciar uma discussão.

Mas não é fundamental a presença de um professor para aprender a ser malandro, conhecer a Lei de Gérson em todas as suas variações, bem como saber quando e como aplicá-la com maestria; para a arte de ser malandro o que não falta é mão de obra autodidata. Deve ser por isso que a beleza da profissão exercida pelos professores não é reconhecida em terras tupiniquins. Definitivamente, ser Professor é, acima de tudo, ter muito amor.

Ser Professor, o melhor professor, é, em sua máxima excelência, ser um artista, afinal, ensinar é uma arte, a arte de ser ator. É ser capaz de fazer o impossível para trazer ao plano físico as almas de uma turma de alunos matutinos que ainda encontram-se perdidas no reino de Morpheus e impedir que o pó de Sandman atinja os olhos daqueles alunos que batalharam o dia inteiro e sobreviveram para as aulas noturnas, quando a voz do professor parece um som distante vindo de algum plano etéreo. É iniciar uma batalha épica contra Chronos para fazer o conteúdo de uma vida caber em apenas cinquenta minutos.

Ser Professor é incorporar um personagem a cada dia, a cada aula. É passar pela porta da sala e deixar do lado de fora aquela briga com a mãe, com o pai, com a namorada, com o marido, com a filha, com o cachorro… é, por um período que reside entre o bater de um sinal e o soar de outro, esquecer que todos os problemas existem e conseguir sorrir para os alunos, conquistá-los a cada minuto e neles despertar a admiração pela figura que se articula em frente ao quadro negro.

A ausência do Professor, muito mais do que impedir a existência de outras belas profissões, impede a propagação de valores humanos. Sem Professor, não há educação, não há esperança, não há a possibilidade de qualquer mudança. A você, professor ou futuro professor, parabéns pela escolha, pela luta de cada dia, parabéns por não desistir, parabéns por todo esse amor.

Essa é uma singela homenagem aos meus professores do cursinho, ex professores da faculdade, amigos professores e futuros professores. A vocês, desejo um merecido Feliz dia dos Professores.

Se as horas fossem longas

Postado em Meu Mundo em outubro 13, 2011 por Roberta Forster

Se as horas fossem longas, eu leria três livros por dia, pintaria as unhas seis vezes por semana e correria pelas manhãs. Se as horas fossem longas, eu me encantaria todo dia com o pôr do sol, apreciaria a noite e só dormiria quando o sono viesse. Se as horas fossem longas, eu esperaria. Se as horas fossem longas, eu não teria medo e andaria calmamente às tardes. Se as horas fossem longas, você não apareceria na incerteza do momento. Se as horas fossem longas, cada minuto não consumiria tudo e tanto que tento conter. Se as horas fossem longas, eu conteria. Se as horas fossem longas, esse texto não seria prosa, nasceria poesia.

Setembrite

Postado em Meu Mundo, Nosso Mundo em setembro 29, 2011 por Roberta Forster

Há algum tempo os vestibulandos haviam sido avisados sobre a febre denominada Setembrite, que pode acometer-los no mês de setembro e, na transição para outubro, transforma-se em Outubrite. Não há registros de Novembrite, os sintomas de esquizofrenia e loucura provenientes da febre acontecem somente até a outubrite; ouve-se gritos estranhos ecoando pelos corredores, surtos psicóticos, convulsões e risos desenfreados; mas as estatísticas apontam que, ao passar pela Outubrite e sobreviver aos surtos e pressões psicológicas, o aluno provou-se forte e capaz de enfrentar as tropas de choque que o aguardam no fim da linha.

Houve o caso de uma garota que acreditou que a Setembrite não passava de uma lenda, afinal, setembro já havia chegado e ela não sentira nenhum dos sintomas previamente descritos. Ela então preparou sua mala e se dirigiu ao local de prova com horas de antecedência. Ali armou acampamento: da sua mochila saíram armários, roupas, sapatos e, no banheiro, arrumou os shampoos e toalhas; ela inclusive arrumou a mesa para o almoço; sentou-se na cadeira e esperou; olhou no relógio e decidiu sair para voltar mais tarde, pegou um ônibus e foi para casa.

Ao desembarcar, percebeu que já era hora de voltar para a prova e se deu conta que não conseguiria chegar a tempo; pediu carona para seu pai, mas o carro estava quebrado. O desespero tomou conta da situação, o celular tocou, ela olhou no relógio e eram cinco e meia da manhã, levantou-se e começou a se preparar para a primeira aula de história. “Setembrite é lenda urbana”, pensou a garota enquanto escovava os dentes.

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