Corredor de ilusões

Já fazia muitos dias que ela não passava por ali, aquele corredor trazia-lhe lembranças das quais não queria esquecer, apenas deixar na memória das ilusões. Passaram-se dias, semanas fugindo de algo que não estava mais lá. Até que por um momento, evitando uma tempestade que lhe abatia, adentrou por aquele caminho. A porta estava fechada, não mostrava-lhe ausência ou presença, era apenas uma porta fechada.

Mais alguns dias seguiram e a passagem voltava a ser habitual, ao menos nos momentos que ela sabia que não encontraria a porta aberta. Olhar era inevitável, era como se algo ainda permanecesse ali, intocável. Nunca havia visto de outro jeito, ora fechada, ora aberta. Fechada era como sempre foi quando não estava aberta, hoje aberta é como ela nunca tinha visto e preferia não ver.

Outrora com papéis na mão chegou o momento que ela não sonhava, tampouco esperava, mas sabia que um dia chegaria. Passou pelo corredor e ela pôde notar que luz saía da porta que certamente não estava fechada. Hesitou, deu dois passos para trás e pensou em voltar. A idéia de ver aquela porta aberta de um modo como nunca tinha visto antes não lhe agradava. Na verdade um medo inexplicável tomou-lhe o coração, deu mais alguns passos, parou e lembrou-se de como era quando costumava parar e, com o coração acelerado, pensar se devia adentrar ou não, ora passando reto, ora adentrando e perdendo todos os sentidos que conhecia da palavra.

Decidiu continuar e ao chegar perto hesitou mais uma vez por alguns segundos, prosseguindo logo em seguida. Uma idéia louca surgiu-lhe à mente, mesmo consciente de que não podia ser verdade, olhou com o coração disparado como se fosse ver o que sempre viu. Mas tudo estava diferente, aquela ilusão havia passado e finalmente viu o que o coração evitava ver: ausência em todos os sentidos.

Não era a mesma luz, não era nem mesmo o local que costumava ser, apenas uma diferença foi capaz de mudar tudo. Depois de tantos dias, naquele momento ela havia percebido a efemeridade de todos os momentos, de tudo que foi, tudo que não foi, não deveria ter sido e a alegria sutil de tudo que é.

2 Respostas to “Corredor de ilusões”

  1. marinices Says:

    sem comentários robs, só meu abraço virtual heheheh

  2. Oi Rob’s…li tudo!!!
    Muito bom!!!
    Escritora…Fotógrafa…Mulher…
    Parabéns…
    Vc é 10!!!
    Beijos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Marikota…

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