Arquivo para novembro, 2009

Enquanto isso, na mesa ao lado…

Posted in Cultura de Bar on novembro 25, 2009 by Unsere Welten

Rodeada de amigos e saboreando uma gelada, ela pensava porque é toda sexta feira estava naquele bar, e sempre o mesmo bar. “Se ao menos o bar mudasse… Mas beber é bom, conversando com amigos, melhor ainda!” pensou. Entretanto, aquilo não mais lhe satisfazia. Uma sensação de falta de criatividade e mais do mesmo lhe apoderava. Não haveria nada mais para se divertir além de ficar alegre com a cerveja compartilhando a tão agradável cultura de bar?

Cerveja é bom, mas ela sentia falta de algo novo. Pensou nas estrelas que a tanto não via, pois a poluição e as luzes da cidade apagam o céu. Lembrou dos quiosques de suco que possuem tantos sabores quantos você pode imaginar e no porque nunca ninguém pensava em chamá-la para um belo sucão. Aliás, o que haveria de diferente para se fazer nessa cidade? E ela bebia, brindava e ria. Não podia ser diferente, beber é muito bom, só não preenche um certo vazio que não espera que toda sexta feira acabe em um boteco.

“Teatro!” pensou com seus botões. Teatro é algo divertido, e de quebra a noite pode acabar em um bar, agradando a todos. Mas que preguiça que dá fazer algo novo! Vencer a inércia parece exigir um esforço muito grande, é tão mais fácil buscar sempre mais do mesmo. Enquanto isso, ela beberia, brindaria e continuaria rindo às sextas-feiras. Melhor mais do mesmo do que nada de nada!

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Conversa de Bar

Posted in Cultura de Bar on novembro 16, 2009 by Unsere Welten

Depois de um longo dia de expediente, amigos compartilham cerveja e risadas, discutindo sobre a vida, a paz no mundo e  solução para a fome na África.

Zé não bebia cerveja, compartilhava da companhia de seus amigos bebendo um guaraná com gelo e laranja. Ele não tirava o olho do relógio, sua mulher o esperava em casa. Ele não podia reclamar, pois ela só estava esperando-o em casa por não ter permissão do marido para sair com amigos. Um não respirava sem que o outro soubesse, vivendo felizes para sempre num mundinho que cabia dentro de um apartamento de quatro cômodos. Ao ver Mané na segunda garrafa de cerveja, Zé advertiu:

– Cara, como você bebe! Ainda vai morrer desse jeito!

– Pra morrer basta estar vivo.

– A vida não é só bebida.

(silêncio)

A face de Mané tornou-se um misto de indignação com dúvida, não sabia bem se tinha compreendido o que havia acabado de escutar e também não sabia exatamente o que deveria dizer, mas sentiu pena daquele infeliz. A única coisa que faltava ali era enterrar o sujeito e marcar a missa de sétimo dia, sem ter a certeza de que seria mesmo o sétimo dia, pois já estava morto fazia muito tempo. A resposta veio logo após sair do transe filosófico gerado pela cultura de bar:

– A morte também não.

Carta para alguém em algum lugar

Posted in Meu Mundo on novembro 7, 2009 by Unsere Welten

Olá,

Ainda não sei o seu nome, mas no momento estou aqui na varanda de casa, uma noite bem quente com uma leve brisa refrescante, não há no céu uma única estrela visível, apenas núvens e uma ameaça de chuva. Ouço o som da brisa sobre a árvores e as únicas fontes de luz disponíveis provém da lua e da tela do meu notebook.  O silêncio é quebrado por crianças que se divertem na rua com a falta de energia elétrica. O barulho da criançada causa um leve alvoroço nos cachorros que latem, mas logo cessam, retornando à paz inicial do chacoalhar das folhas.

Em meio a esse silêncio estou aqui pensando em você.  Sei que não nos conhecemos, e se nos conhecemos, ainda não nos descobrimos, mas eu sei que em algum lugar você existe. Não sei nem se falamos a mesma língua, mas estou refletindo sobre nossas vidas, eu aqui nessa varanda e você em algum lugar, fazendo o quê? Estaria casado? Solteiro? Comendo uma pizza? Dormindo? Sentindo a mesma brisa dessa noite quente ou congelando em algum outro fuso horário? O que você está fazendo nessa noite de 7 de novembro de 2009, às 8 horas e 56 minutos do horário de Brasília, em pleno horário de verão brasileiro? Não sei quanto tempo levará para nos encontrarmos, mas guardarei essa pergunta para você algum dia, e quem sabe você se lembrará desse dia como eu me lembrarei.

Acho que estamos juntos agora de alguma forma, pois embora eu não te conheça, ou simplesmente não saiba quem você é, estou com meu pensamento e meu coração focado em você. Nesse exato momento a energia elétrica voltou  e as crianças gritaram em comemoração, o barulho da cidade começa a penetrar na paz dos meus pensamentos. Vou ficando por aqui, me despeço até o dia que nos encontrarmos, nos conhecermos ou nos descobrirmos.

Com amor.

Conversa entre o Sono e a Insônia

Posted in Os anônimos também existem on novembro 5, 2009 by Unsere Welten

– Bem, hora de ir pra cama! Já deu a hora, amanhã é dia de acordar cedo e… ei! O que você está fazendo aqui?

– A noite quente é uma criança!

– Não, ela não é uma criança, ela é curta e há pouco tempo para dormir.

– Dormir é perda de tempo.

– Não, dormir é essencial, porque não me deixa fazer meu trabalho?

– O dia inteiro se passa trabalhando, quer horário melhor para se aprofundar estudando? Pra que perder tempo dormindo?  Há tantas coisas que podemos fazer, tantos livros que acabamos descobrindo! Internet pra navegar, msn pra prozear! Porque você não me acompanha?

– Acho que não daria certo.

– Poderíamos nos conhecer melhor!

– Somos bem diferentes, eu venho quando é para dormir e você quer manter acordado, acabamos brigando a noite inteira, me deixando bem perturbado.

– Eu sou uma dama da noite, dormir é perda de tempo eu já disse, acordado é que se produz, dormindo tudo é apagado, venha comigo para o lado da luz!

– Sem dormir não posso ir embora, fico vagando durante o dia porque não fiz o que deveria estar fazendo agora!

– Você é muito estressado.

– E você é muito folgada!

– Relaxa, toma uma gelada.

– Vou ali e já volto, fique aí com seu livro, quando voltar, espero não mais te encontrar.

– Como você é sensível.

[tempo]

– Ainda está aqui?

– Sim, trouxe uma pra mim?

– Já chega! Me dá esse livro, se manda!

– Ei! Devolve isso aqui!

– Chega de leitura, chegou a hora do descanso.

– Se não tem leitura também não tem sono, vou ficar aqui enquanto você rola na cama e…

– ZZzzZZzzZzZzz

– Acorda!

– Ahn? Hein que está acontecendo?

– Ainda estou aqui.

– Nossa… fazendo o que?

– Se eu não posso ler, você não pode dormir.

– Como você é egoísta, eu deveria… ZzzZZzZzzZz

– OLHA LÁ!!!!

– Hein? Que? Você de novo? O que é que está acontecendo afinal?

– Tem um barulho na janela, você não vai ver o que é?

– Só quando eu acordar… ZZzZzZZzzZ

– Você já acordou e…

– ZzZZzZzZzZZzZzZz

– Ei! Acorda aí!

– ZZZZZzzZzZzZZZzzzZzZzZzzzzzzZZzZZZzZzZzZZZZZZZZZzzZzzzZzz

– Você não tá ouvindo o barulho??

– ZZzZzZzZZzzZzZz

– Desisto, vou embora.

PI PI PI PI PI PI!

– Ahn? Que! … !! .. despertador? Ah não… toca mais tarde…

PI PI PI PI PI

– Insônia filha da puta.

Flores

Posted in Meu Mundo on novembro 3, 2009 by Unsere Welten

A surpresa vale mais do que a espera, mas encontrar mais do que se esperava é mais gratificante que jamais ter esperado coisa alguma. Uma vida sem esperança não vale mais do que uma flor de plástico. As flores de plástico não são como flores secas, uma flor seca não tem vida porque morreu, já a flor de plástico nunca viveu. Guardo flores secas no meio dos meus livros, mas vivo em meio as flores plantadas no jardim. Meu jardim é regado todos os dias, assim não preciso esperar que me tragam flores prestes a secar. Sementes são bem vindas!

Idiota

Posted in Nosso Mundo on novembro 1, 2009 by Unsere Welten

Não é preciso algo estupidamente idiota, basta que seja você que tenha feito e então será algo muito idiota (ao menos aos olhos seus). Sim, ninguém reparou que foi idiota, apenas você, mas é idiota. Todo mundo faz, mas só quando  é você quem está fazendo, é algo realmente idiota. E então você passa o dia todo pensando que não deveria ter feito aquilo e você se sente ainda mais idiota mesmo sabendo que não foi idiota de fato, mas isso não faz com que você se sinta menos idiota. É impossível esquecer o quão foi idiota, ainda mais deixar de imaginar o quão idiota alguém deve estar pensando que você é mesmo sabendo que ninguém está interessado nas suas idiotices imaginárias. Já é impossível  lembrar quantas vezes você se xingou de idiota, de tão idiota que foi em pensar que está sendo idiota. Quanta idiotice!

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