A história da aula

Se alguém perguntasse qual era a razão, não haveria quem soubesse responder com exatidão. Não existia um motivo específico, não era, portanto, algo de fácil explicação, o que não tornava, de fato, o fato inexplicável. E o fato é que ele arrancava platônicos suspiros das meninas.

Nas noites de terça-feira era possível observar o fenômeno do acúmulo de garotas em frente ao espelho do banheiro refazendo toda a funilaria e pintura para se apresentarem impecáveis à tão aguardada aula. O ambiente, repentinamente, tornava-se mais bonito.

As noites de terça eram apenas o referencial conhecido daquilo que há muito já havia se tornado cotidiano. E era sempre a mesma história, não a aula de história, mas a história daquela aula.

O que tinha ele afinal? Seria o olhar o responsável pelo charme que lhe era inerente? Ou seria o sorriso? Quem sabe o seu jeito despojado e descontraído, aliado a um humor tanto inteligente quanto sarcástico? A voz, talvez. “Ele nem é tão bonito assim”, afirmavam alguns, “mas falta-lhe um pouco de cabelo”, diziam outros. Não importava, era por ser ele, aquela unidade cuja parte sem o todo não faria o menor sentido.

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