O silêncio

O silêncio às vezes incomoda. Geralmente ele é combustível para uma imaginação desenfreada, daquelas a la égua ibera do Bentinho e, sem um mínimo de controle, pode gerar monstros que escapam por um portal causando destruição a esta realidade paralela. Ele transforma a mente em um campo minado ou um barril de pólvora à espera de um fósforo aceso.

Eu devo confessar que não me dou bem com o silêncio e, no momento em que escrevo, a vitrola roda Delicate Sound of Thunder. Muitas vezes, o silêncio é tão intenso que o barulho fica insuportável, tudo parece evoluir uma bateria de escola de samba dentro da cabeça, aí então um bom disco ajuda a afugentá-lo; e aquele suave arranhado proveniente do atrito entre a agulha e o bolachão conferem-me um pouco de paz.

As expectativas geradas pelo silêncio à espera de sua quebra podem te engolir; dominá-lo é uma arte e, uma vez controlado, tem-se aí um aliado. O silêncio é um espelho ou um lago cristalino e calmo que reflete um estado de espírito, toda a bagunça ou serenidade que ali aparecer dependerá exclusivamente do que lhe for defrontado; e o outro que me habita insiste em mostrar-lhe uma carranca.

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