Humanidade

O mundo no qual vivia não era perfeito e, tampouco ele próprio, principalmente agora. Mas ainda havia algo ou alguém que precisava ser salvo, que não merecia desaparecer. Não devia deixar-se dominar novamente pelo ódio, precisava manter-se confiante sem nunca se render. Acreditando nisso, quem sabe se no fim não acabariam criando realmente uma nova época, uma realidade melhor.

Licia Troisi, O Talismã do Poder – Crônicas do Mundo Emerso

Sinto que a humanidade está perdendo o sentido. Está ficando cada vez mais difícil encontrá-la por aí, alguns dizem até que amam os animais e odeiam as pessoas. Já eu prefiro acreditar que esse sentimento surge de apenas de uma revolta e não nasce da essência humana que brilha dentro de cada um. Não é algo verdadeiro, pelo menos não deveria ser.

O homem destrói a natureza, maltrata os animais, faz coisas que nos deixam estupefatos, atingem a nós… nós, humanos! Humanos que se compadecem, que se revoltam, que lutam contra a crueldade. Humanos que criam, humanos que curam, humanos que se preocupam, humanos que dedicam a sua vida a outros seres, sejam eles humanos, vegetais, cachorros, gatos, patos, golfinhos, baleias, sereias. Tudo isso nasce da humanidade à qual todos nós pertencemos.

Mais produtivo que odiar a humanidade é se integrar definitivamente a ela, pois se é o homem que destrói, é também essa mesma espécie que constrói. Provém da capacidade de criação humana a existência do computador que você usa para digitar e a rede que você usa para propagar o asco a quem lhe proporcionou esta ferramenta. Negar a humanidade é negar a si mesmo, é tentar, sem êxito, se eximir da culpa de existir e fazer parte da sociedade que integramos.

Se a humanidade te exaure e a lealdade e o carinho de um animal te comove, lembre-se de que sempre haverá um humano para retribuir, receber e propagar esse afeto. Sempre haverá quem cuide – o trabalho de veterinário, afinal, é realizado por uma pessoa, não um cachorro – sempre haverá o verdadeiro lado humano, aquele que cria, que luta, se indigna, que reflete, na arte, a arte de existir, amar e criar tudo que nos enche os olhos.

Quando tudo então parecer perdido, quando nada mais fizer sentido, quando a desgraça humana lhe tomar de assalto e roubar toda a esperança, ouça aquela música que lhe transcende e desconecta do mundo; é graças à humanidade que ela existe, e então você se lembra que sempre existirão motivos pelos quais continuar a acreditar.

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