O fotógrafo e a câmera

Certa vez li um texto muito divertido intitulado “Como irritar um fotógrafo”. Dentre várias opções da lista, que vão de pedir ao fotógrafo para ver como a foto ficou, falar para ele tirar outra e elogiar a câmera ao invés da capacidade do fotógrafo, esta última é a mais irritante. Não há nada que desabone mais o trabalho de alguém do que atribuir a sua capacidade ao equipamento. Entretanto, ferindo o brio de muitos fotógrafos, não dá para negar que a câmera seja importante. Para esclarecer melhor a situação, um fotógrafo estará mais capacitado com uma compacta em mãos do que um Zé Rodela que esteja usando uma Canon 5D –  ou uma 1D (que sonho!) – mas não dá para negar que um excelente fotógrafo terá um leque muito maior possibilidades para explorar sua criatividade se puder usar um equipamento “fuderoso” como esses.

Imagem retirada do Facebook.

É claro que o bom profissional tira leite de pedra com um equipamento precário, mas ele se assim o faz, o que não seria capaz de fazer com o melhor equipamento em mãos? Eu sempre pergunto a um fotógrafo que equipamento ele usou, não por desvalorizar sua capacidade criativa, mas para saber quais os recursos ele tinha disponíveis no momento daquela foto. Ontem saí para fotografar, minha máquina está obsoleta, mas, claro, sou capaz de fazer ótimas fotos com ela. No entanto eu sentia falta de uma full frame, lentes grande-angulares, ou zooms capazes de abrir muito o diafragma; eu vislumbrava imagens para as quais minha máquina não tinha os recursos necessários. Se eu preciso aumentar o ISO para 3200 com minha reles Canon Rebel XS (de CCD porque já passou das 200 mil fotos), não posso, ela é limitada a míseros 1600. E eu vi uma garota aprendendo a fotografar com uma Canon 5D Mark III, último lançamento da linha 5D. Dá para não pensar no que poderia ser feito com aquilo se souber fazê-lo? (Mas, é sempre bom lembrar, somente quem sabe fotografar tem o direito de perguntar qual o equipamento usado!)

Os fotógrafos orgulhosos que me desculpem, mas se é para falar de capacidade independente do equipamento, quem merece as honras são aqueles que fotografavam com analógicas. Fotografar com analógica é arte, trabalhar no laboratório P&B é poético, já fotografia digital atende à atual rapidez do mercado. Alguém consegue conceber o que era fotografar um show de rock tendo que trocar inúmeras bobinas de filme fotográfico? Para eles eu tiro meu chapéu.

Resumo da ópera: de nada adianta uma Ferrari nas mãos de quem não sabe pilotar, mas não dá para colocar em pé de igualdade de competição dois excelentes pilotos os quais estejam um com uma Ferrari e o outro com um Fiat 57.

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