Da Renascença para o Metrô

Hoje no metrô, a caminho do trabalho, vi uma moça que parecia uma pintura. Não, não era uma moça tão bonita a ponto parar o trânsito, moldada nos padrões atuais nos quais já estamos acostumados. Ela parecia ter vindo direto da renascença. Com seu rosto pálido e arredondado de bochechas rubras, olhos pequenos, escuros e expressivos, boca pequena e avermelhada, o cabelo castanho levemente preso e algumas mechas encaracoladas caindo-lhe sobre os ombros e com a estrutura corporal da Vênus de Botticelli, ela era a representação viva dos grandes mestres do renascimento.

Seu rosto poderia se comparar à Madona dos Peregrinos (1603) de Caravaggio, ou quem sabe à Mulher com Véu (1513-1514) de Rafael. Fico imaginando o roteiro de um filme, tal qual “Encantada”, produzido pela Disney, na qual a princesa é atirada do mundo de fantasias do desenho animado para o nosso mundo. Só que, em vez de um conto de fadas, a nossa inusitada protagonista saiu diretamente de uma das obras desses gênios da pintura renascentista. Atirada no nosso mundo por algum tipo de magia, a garota que vivia dentro de um quadro, sente-se perdida. Ela estava sentada no banco do metrô, com o rosto perdido olhando para todos os lados. Suas vestes são simples, de quem tentou se adequar à nossa realidade para não chamar atenção. Ela está à busca de um museu, o MASP talvez, para então tentar encontrar um meio de voltar para casa. Quem sabe? Ela desceu na Paulista.

Madona dos Peregrinos – Caravaggio

Imagem

Mulher com Véu – Rafael

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