Diálogos do Trem – Fragmentos

O não arrependimento arrependido – 22/10/2012

Eu estou casado há 13 anos. Casei muito novo. Não que eu me arrependa, isso não, mas me arrependo de não ter pensado direito, sabe, deixar pra casar lá pelos 35 anos. Perdi toda a curtição. O que eu ganho nem é tão ruim, sabe, mas eu não desfruto, que usufrui do meu dinheiro é ela. Eu não tenho tempo de gastar o que eu ganho. Você tem? Às vezes tô no bar, tomando uma cerveja e logo liga a mulher “Onde cê tá?”. Tô aqui com a galera! E logo começa o piti. As vezes penso em largar tudo, sabe, pegar uma aqui, outra ali. É muito mais negócio.
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Os troço no cérebro – 25/10/2012

Minha sogra só tem meu marido de filho. O sonho dela era ter outro. Ela teve uma filha, né, só que morreu. Tinha uns 27 dias. Teve fogos, aí a nenê se assustou, deu uns troço no cérebro e aí ela morreu.
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Sonho de criança – 15/01/2013

Eu me lembro quando eu era criança, eu e meus irmãos achava tão da hora os lixeiro correndo atrás do caminhão. Meu irmão dizia: quando eu crescer eu quero ser lixeiro!
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A dor da perda – 21/01/2013

Minha mãe entrou em depressão quando meu pai morreu, eu era moleque. Ela ia ao cemitério todos os dias, minhas irmãs que tinham que segurá-la para não ir. Mas foi na exumação que ela piorou de vez. Metade estava inteiro, metade era só esqueleto. No dia dos pais tínhamos que fazer qualquer coisa que não lembrava o pai. Assistia televisão, até Faustão, qualquer coisa. Hoje ela tá boa, vai até pra balada, voltou a ser menininha de novo. Meu pai tinha 56 quando morreu, ela acho que tinha… não sei, uns 31.
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Um fragmento de terror – 31/01/2013

… aí sabe o que aconteceu? Ele enfiou os dedo bem assim nos zóio dela, aí começou a sair um monte de sangue assim… tenso! Não gosto nem de lembrar.
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Sinceridade – 18/02/2013

Desculpa, eu não posso ser hipócrita, dizer que quero que você seja feliz com ela, porque não é verdade.
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O cair da máscara – 28/08/2013

Eu era noiva do Fábio, sabe. A gente tava sentado no lugar de idoso… não, acho que não era, mas era lá no vagão da frente, daí entrou um senhor bem idoso, e eu falei pra ele “amor, dá o lugar para o senhor sentar.” Ele levantou e passou a viagem toda sério. Quando a gente desceu, ele segurou no meu braço bem forte e disse: “Você nunca mais faça isso, nunca mais peça para eu dar meu lugar a ninguém!” Daí eu percebi, era a primeira vez que eu tinha visto ele fazer algo por alguém, dar aquele lugar. Mas na verdade ele não tinha feito, ficou tão bravo! Aí eu vi quem ele realmente era.
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Para pagar de culta – 22/05/2014

Eu queria aprender mais de filme, não porque eu gosto, mas para conversar com as minhas colegas. Sabe, falar daquele ator, do diretor tal, pra fingir que sou inteligente. Outro dia estavam falando de um tal diretor que morreu e eu estava boiando.

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