Archive for the Diálogos do Trem Category

Diálogos do Trem – Relacionamentos

Posted in Diálogos do Trem on maio 19, 2015 by Unsere Welten

– Eu não vou ficar pedindo carinho pra você não.
– […]
– Grosso, eu?
– […]
– Ah tá, tá bom. Em que momento eu fui grosso?
– […]
– Ah, tá. Claro.

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– É, no Natal eu preciso estar em Minas, fia.
– […]
– Da um jeito na tua vidinha que eu preciso dar um jeito na minha, ou vou acabar matando aquele desgraçado.
– […]
– Eu to ruim, to péssima… Falta pouco pra eu matar aquele desgraçado.
– […]
– Eu já peguei quatro anos fia, mais dez anos vai ser fichinha, não aguento mais aquele coisa ruim.

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– Letícia, eu quero passar informações de conhecimento pra você… Se você não quer tudo bem!
– […]
– Ah, mas Letícia, só porque eu tenho mulher eu não posso ir pra sua casa?
– […]
– Letícia… Não, Letícia, me escuta, me escuta! Quando você me conheceu… Deixa eu falar, quando você me conheceu você me conheceu casado.
– […]
– Você me conheceu casado, Letícia, eu não era solteiro, eu não sou solteiro, eu não tenho culpa se você não pode ir onde eu estou, porra, se toca, cara!
-[…]
– Não, Letícia, eu não desliguei na sua cara, eu tava no meu quarto colocando meu filho pra dormir… Contando uma historia pra ele.
– […]
– Não, Lê, eu não desliguei na sua cara! A ligação caiu! Sua filha da puta! Vou dar uma porrada na sua cara! Se eu tivesse aí você tomava logo umas duas bolachas pra você aprender.
– […]
– Não, Letícia, não! Poxa, me ouve… foi até minha mulher que foi me avisar que o telefone tava tocando, a ligação caiu mesmo…
– […]
– Mas que diacho de amor é esse que você diz que sente por mim? Que amor é esse você não é nem capaz de me entender?
– […]
– Você não é a outra Letícia, você sabe que não é, você nunca foi nem nunca vai ser pra mim a outra, essa palavra não existe no meu vocabulário, você sabe disso, Lê, você sabe que eu te amo!
– […]
– Eu amo você, você sabe disso, eu amo a nossa princesinha, demais….
– […]
– É claro que eu vou no aniversário dela, Letícia…
– […]
– Não Letícia, não… E mulher não nasceu para ser compreendida, nasceu para ser amada, e você sabe que te amo, e ainda assim eu compreendo você, eu te entendo, e te respeito.
– […]
– Não, Lê, eu não tenho outra, você sabe que não, é apenas o meu jeito… Não não, não é só quando eu quero que a gente se fala, é só quando dá tempo, olha, não estamos falando agora?
– […]
– Não, Letícia, não… Não! Olha, você sabe disso… Letícia, Letícia! ….

… Desligou… Puta que pariu, plena segunda feira e essa mulher faz isso…

[Tenta ligar de volta inúmeras vezes, e então ela finalmente atende]

– Alô, oi, oi, tá me ouvindo? Tá mais calma agora?
– […]
– Eu sei que você não está nervosa, é, eu sei, você estava só desabafando, é, eu sei, eu entendo…

[E assim, descendo do trem, continua…]

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Diálogos do Trem – Fragmentos

Posted in Diálogos do Trem on setembro 23, 2014 by Unsere Welten

O não arrependimento arrependido – 22/10/2012

Eu estou casado há 13 anos. Casei muito novo. Não que eu me arrependa, isso não, mas me arrependo de não ter pensado direito, sabe, deixar pra casar lá pelos 35 anos. Perdi toda a curtição. O que eu ganho nem é tão ruim, sabe, mas eu não desfruto, que usufrui do meu dinheiro é ela. Eu não tenho tempo de gastar o que eu ganho. Você tem? Às vezes tô no bar, tomando uma cerveja e logo liga a mulher “Onde cê tá?”. Tô aqui com a galera! E logo começa o piti. As vezes penso em largar tudo, sabe, pegar uma aqui, outra ali. É muito mais negócio.
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Os troço no cérebro – 25/10/2012

Minha sogra só tem meu marido de filho. O sonho dela era ter outro. Ela teve uma filha, né, só que morreu. Tinha uns 27 dias. Teve fogos, aí a nenê se assustou, deu uns troço no cérebro e aí ela morreu.
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Sonho de criança – 15/01/2013

Eu me lembro quando eu era criança, eu e meus irmãos achava tão da hora os lixeiro correndo atrás do caminhão. Meu irmão dizia: quando eu crescer eu quero ser lixeiro!
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A dor da perda – 21/01/2013

Minha mãe entrou em depressão quando meu pai morreu, eu era moleque. Ela ia ao cemitério todos os dias, minhas irmãs que tinham que segurá-la para não ir. Mas foi na exumação que ela piorou de vez. Metade estava inteiro, metade era só esqueleto. No dia dos pais tínhamos que fazer qualquer coisa que não lembrava o pai. Assistia televisão, até Faustão, qualquer coisa. Hoje ela tá boa, vai até pra balada, voltou a ser menininha de novo. Meu pai tinha 56 quando morreu, ela acho que tinha… não sei, uns 31.
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Um fragmento de terror – 31/01/2013

… aí sabe o que aconteceu? Ele enfiou os dedo bem assim nos zóio dela, aí começou a sair um monte de sangue assim… tenso! Não gosto nem de lembrar.
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Sinceridade – 18/02/2013

Desculpa, eu não posso ser hipócrita, dizer que quero que você seja feliz com ela, porque não é verdade.
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O cair da máscara – 28/08/2013

Eu era noiva do Fábio, sabe. A gente tava sentado no lugar de idoso… não, acho que não era, mas era lá no vagão da frente, daí entrou um senhor bem idoso, e eu falei pra ele “amor, dá o lugar para o senhor sentar.” Ele levantou e passou a viagem toda sério. Quando a gente desceu, ele segurou no meu braço bem forte e disse: “Você nunca mais faça isso, nunca mais peça para eu dar meu lugar a ninguém!” Daí eu percebi, era a primeira vez que eu tinha visto ele fazer algo por alguém, dar aquele lugar. Mas na verdade ele não tinha feito, ficou tão bravo! Aí eu vi quem ele realmente era.
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Para pagar de culta – 22/05/2014

Eu queria aprender mais de filme, não porque eu gosto, mas para conversar com as minhas colegas. Sabe, falar daquele ator, do diretor tal, pra fingir que sou inteligente. Outro dia estavam falando de um tal diretor que morreu e eu estava boiando.

Diálogos do Trem – As crianças e seus adultos

Posted in Diálogos do Trem on julho 22, 2012 by Unsere Welten

Diálogo 6: Amor de mãe e filho

– Você tá com 38 quilos, daqui a pouco tá com 40! Vai virar uma bola.
– E você daqui a pouco vira uma jamanta.
– Jamanta eu já tô.
– Vai virar uma baleia então! Uma baleia fora d’água!
[mãe mostra a língua]
[silêncio]
– Eeeei! Coisa feiaaaa! – diz a mãe.
[filho mostra a língua]
– Feio, horrorosoooo! Lá, lá, lá…
[filho mostra mais a língua]
– Nossa, parece um macaco!

Diálogo 7: O doce aroma do Rio Pinheiros

[som de ânsia de vômito]
[fala uma menina]
– Ai que cheiro de cocô…
[repete o som de ânsia de vômito]
[menina continua a falar]
–Ai… passa logo esse fedô… Mãe! Manda esse ônibus [?!?!] ir mais rápido… argh.
[muitos narizes se escondem nas camisetas]

Diálogo 8: Uma viagem pra lá de espe(a)cial

[menina se debruça na janela]
– pizzzz ziiummmm pi pi prrrr  Vejam, vejam só! Que vista boa nós temos aqui! É possível ver toda a Terra! Que coisa mais linda…
– Ver a Terra? Do que você está falando, menina?
– Nós estamos em uma nave espacial que saiu do planeta Bink!
– Ah… é?
– Olá, sou um visitante do planeta Bink.. pi pi prrr piiii! Eu vim em paz, mas.. adeus! Eu tenho que voltar. Pi pi prrrr zzzzzzz ssshhhh olha só onde agora estou! Que mundo lindo! Que maravilha, posso visitar vários mundos! Pi pii prrrrr pi zzzz Estamos avistando mais um planeta! Será Marte? Pi pi prrrr Oh, não! Invasão! Invasão!
– Volte ao planeta Terra agora, temos que descer.
[avó puxa a mão da menininha]
– Mas os aliens! Os aliens estão chegando! Pare!!
– Vamos logo, menina!
– Oh não, os aliens estão invadindo…
[irmão chato intercede]
– Eu vou estourar isso [segura o balão vermelho da menina] se você não ficar quieta!
– Para! Eu tô no meu mundo… Ahhhhhhh! Você é o alien que invadiu o meu mundo!

Diálogos do Trem – O dia dos namorados

Posted in Diálogos do Trem on junho 13, 2012 by Unsere Welten

Diálogo 1: A otimista

– Amor, obrigada!
– Pelo quê?
– Pelo presente.
– Que presente?
– O que eu vou ganhar.

Diálogo 2: A ignorada

– Alô, alô…. Alô! Oooi, Amor! Amor…? [silêncio] Droga.

Diálogo 3: Ah, o amor…

[Atende o telefone]
– Vou dar um soco na sua cara, vou te deixar banguelo nem que eu tenha que engessar minha mão no dia seguinte. Você conhece a minha fúria, tira essa aliança pra você ver! Tem onze meses que te aturo, onze meses que te suporto! Você… Atacada? Eu? Cê vai ver o que é tá atacada…

Diálogo 4: Mensagem de texto

Tec tec tec tec tec tec     tec tec   tec [digita mensagem de texto]
Tic [aperta enviar]
[silêncio]
[Escorre uma discreta lágrima]

Diálogo 5: Uma cantada fora de hora

[Aborda um rapaz bem apessoado]
– Oi, por favor, você sabe como faço para chegar ao Shopping Bourbon?
– Se você caminhar comigo, eu te levo até lá!
– Você está indo pra lá?
– Não estava, mas com você eu vou.
– E você sabe onde fica?
– Podemos descobrir.
– Moço, eu tô com pressa! Preciso fotografar um show que vai ter lá no teatro!
– Ah…! Bom… é… vira ali à esquerda, segue reto, tem um shopping, acho…

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