Archive for the Nosso Mundo Category

Três palavras. Ou mais ou menos isso.

Posted in Meu Mundo, Nosso Mundo on julho 3, 2015 by Unsere Welten

“Ele me disse eu te amo”, ela me contou. E isso a deixara perturbada. “Eu nunca acredito quando alguém diz que me ama. Fico pensando que a pessoa estava bêbada, ou que falou da boca pra fora”. Sobre o que ela respondeu a essa declaração, ela me disse: “respondi que também o amava, mas foi estranho, eu não gosto de dizer”. Indaguei se ela não o amava, e ela dissera que sim, que o amava, mas que não queria dizer, porque era estranho, “nunca acredito que é sincero, e não me sinto à vontade para falar”.

Eu te amo. Três palavras tão básicas e tão fortes. Quantas pessoas não se arrependem por nunca terem dito?  Acho que ultimamente o amor tem assustado um pouco muitas pessoas, talvez por medo de sofrimento, ou pela dúvida, pela incerteza, ou por algum bloqueio, ou por não gostar dele(a), ou porque é muito mais fácil pegar sem se envolver, ainda que isso sempre acaba não funcionando muito bem para ao menos um dos dois lados, e muitas vezes alguém acaba saindo machucado da história. É como uma vez disse uma amiga “Se você não quer se envolver, relacione-se com uma planta”.

E dizer eu te amo se tornou tanto banal quanto difícil, e acabo de descobrir que ouvir também; espanta-me saber que há quem não sinta prazer num sonoro eu te amo. É preciso muita maturidade emocional para reconhecer a verdadeira essência do amor por trás do eu te amo e também para encontrá-la mesmo quando nunca é dito, seja aos pais, aos filhos, aos amigos, aos namorados, às namoradas, aos maridos ou às esposas. Eu te amo. São apenas três palavras, ou mais ou menos isso.

O brilho eterno de uma mente sem lembranças

Posted in Meu Mundo, Nosso Mundo on março 10, 2015 by Unsere Welten

Eu já quis esquecer, exatamente como acontece no filme. Esquecer parece tornar tudo mais fácil: eliminar a dor e acabar de uma vez com o desconforto. Já desejei me livrar de lembranças ruins ou da dor de um coração partido mais de uma vez. Pesquisadores holandeses já descobriram um meio de apagar memórias especificas, traumáticas – através do que se pode grosseiramente chamar de eletrochoque – para auxiliar principalmente em tratamentos de depressão.

Fico imaginando se a coisa atinge a escala do inimaginável e alcança o nosso propósito de esquecer o que nos causa sofrimento. Ao sentirmos uma dor emocional muito forte, bastaria apagar a(s) lembrança(s) que a(s) causa(m). Haveria gente apagando vidas inteiras: a existência de alguém que morreu, anos de relacionamentos amorosos culminados em decepção ou frustração de um coração partido, acidentes traumáticos, experiências negativas que resultaram, de alguma forma, em algum aprendizado. E, de repente, os mesmos erros estariam sendo repetidos um atrás do outro por pessoas repletas de buracos existenciais. Sem a referência da dor, já nem saberíamos o que é felicidade.

Mas confesso, já quis mesmo esquecer. Apagar a memória por raiva ou apenas por não suportar o sofrimento que tira o sono, a fome, apaga as cores, elimina os aromas e os sabores. Ter memória seletiva seria útil em determinadas fases da vida. Que a felicidade não é uma constante e que ela é um meio e não o destino, já sabemos, duro mesmo é a contradição de desejar esquecer nossos sonhos mais doces, as memórias mais lindas e os momentos mais felizes em nome de apagar a tristeza que essas lembranças atualmente nos causa. Talvez seja apenas um paradoxo temporal, ou talvez precisemos delas para perceber que estamos vivos e que somos capazes de rir e de chorar com a mesma emoção e intensidade.

Das grandes coisas

Posted in Meu Mundo, Nosso Mundo on fevereiro 24, 2015 by Unsere Welten

Recentemente li uma crônica que falava sobre pequenas coisas da vida, de como estamos repletos delas; nós nos afogamos nelas. São as pequenas coisas da vida que nos consomem, que nos apequenam. Aprendemos a vida toda que temos que valorizar as pequenas coisas. A verdade é que precisamos mesmo é das grandes coisas.

Nosso cotidiano cheio de problemas, por maiores que estes sejam e nos consumam, é que é pequeno. Aquele pôr do sol, que nos maravilha os olhos, é grande. Um beijo é grande. Um abraço é grande. Um filme é grande. Um livro é grande. Momentos de prazer são grandes. Tudo que nos faz realmente feliz ou, de alguma forma, nos transmite paz, é realmente enorme. São das grandes coisas da vida que precisamos, porque são elas que nos engrandecem. São pequenos ou grandes, breves ou intensos prazeres, mas sempre grandes coisas.

As pequenas coisas têm tomado tanto espaço em nossas vidas que falta tempo para as grandes, amedrontadas, encurraladas, acuadas grandes coisas que fogem assustadas, escapam por entre os dedos. Atualmente tenho vivido demais as  muitas pequenas coisas que me engolem todos os dias e que às vezes ofuscam o brilho das grandes. Mas, dia a dia, vou buscando cada vez mais as grandes coisas ao longo do caminho da vida e assim amenizar o enorme peso das inevitáveis pequenas.

Da desimportância das pequenas coisas: http://vida-estilo.estadao.com.br/blogs/renato-essenfelder/da-desimportancia-das-pequenas-coisas-da-vida/

Crônica do amor à vida

Posted in Jornal do Barraco, Nosso Mundo on fevereiro 7, 2015 by Unsere Welten

– Eu sou totalmente contra o aborto, é um crime contra a vida! A mulher que aborta é uma assassina.
– Mas uma adolescente não está preparada para ser mãe, é o corpo dela, é escolha dela. Ademais, muitas vezes a criança vai ser colocada numa situação degradante de vida e…
– Pensasse nisso antes! Tem idade pra fazer filho então tem idade pra criar também.
– Mas, e aquelas mães com tantos filhos sem condições de criar e…
– Não sei porque pobre faz tanto filho se não tem como criar, depois fica pedindo bolsa esmola, esse bando de vagabundo.
– Se essas familias fossem orientadas, tivessem a mesma igualdade de oportunidades, ou tivesse a chance de acesso a um aborto seguro…
– Aborto é assassinato! Atentado contra a vida… Um crime perante Deus e à lei!

[Maria teve oito filhos, alguns foram frutos de estupro do próprio marido. Ela sofria todo tipo de violência em casa. Seus filhos cresceram vendo o pai batendo nela, e neles. João, o filho do meio, se perdeu no meio das drogas o qual cresceu, um dia, meteu-se num assalto para comprá-las]

NOTICIA  NA TV INTERROMPE A CONVERSA

“E hoje mais um criminoso foi pego por justiceiros, João da Silva assaltou um casal, levando carteiras e celulares. Foi reconhecido alguns dias depois e sofreu as consequências do seu crime: acorrentado a um poste, apanhou até perder os sentidos”

VOLTA A CONVERSA

– Nossa, que horror!
– Pra mim é pouco, bandido bom é bandido morto! Tinha que matar esse filho da puta!

Ah, o amor cristão à vida…

Aos verdadeiros professores

Posted in Nosso Mundo with tags , on outubro 15, 2014 by Unsere Welten

Não dou aqui meus parabéns a todos os professores, não canto aqui aquela musiquinha hipocritamente difundida pela globo para homenageá-los, ainda que seja cantada por Arnaldo Antunes, porque não adianta parabenizar da boca para fora e apoiar o governo que mais sucateia a educação. Parabenizo apenas os professores de coração, e não apenas de título, conscientes e dedicados, que realmente sabem o que fazem e fazem sem medo. Parabenizo mesmo aqueles que desistem de lecionar em nome de sua própria sobrevivência, porque, antes de ser um ato de amor, lecionar é uma profissão, e profissionais precisam pagar suas contas e sustentar suas famílias. Parabenizo também os que lecionam por amor, e mesmo com a certeza de que jogam sementes em solo infértil, continuam a cultivar a sementinha da esperança que parece morrer antes mesmo de brotar. Parabenizo aqueles que não aceitam o sistema falido e não demonstram conivência e complacência. Parabenizo, enfim, os professores de verdade, os professores de vontade. A vocês, se em milhares de corações perdidos forem capaz de tocar ao menos um, digo que já terá valido a pena. A vocês, um feliz dia dos professores.

Retrocesso

Posted in Nosso Mundo on outubro 13, 2014 by Unsere Welten

Queremos mudança!
Mudança em conserva
Mudança igual
Mudança estável

Queremos mudança!
Mudança inabalável
Mudança sem sal
Mudança com reserva

Queremos mudança
Dentro da zona de conforto
Que não altere nossa dança.

Objetividade

Posted in Nosso Mundo on outubro 1, 2014 by Unsere Welten

Objeto
Pessoa
Pessoa objeto
Objeto pessoal.

%d blogueiros gostam disto: