Archive for the Os anônimos também existem Category

Eu cruzei o seu caminho

Posted in Nosso Mundo, Os anônimos também existem on fevereiro 5, 2014 by Unsere Welten

Eu cruzei o seu caminho. Você estava ali, deitado, frágil, desprotegido. O sol batia forte e parecia queimar-lhe a pele, mas isso não parecia incomodar. Você dormia, ou talvez estivesse apenas entorpecido. Se sentia fome, o torpor escondia, se ardia em febre, o torpor disfarçava. Ninguém olhava, ninguém percebia, você era invisível, mas eu vi. Eu vi… por que eu vi? Se eu vejo e nada faço é o mesmo que não ver, dá-me a culpa de viver, de sonhar, de achar que tudo está bem. Não está. Nada está bem. O papelão lhe acomoda como cama, e você dorme, dorme para esquecer a dor, a sujeira que lhe deixa invisível. A sua dor incomoda, a sua existência incomoda. Você não deveria existir, não deveria estar ali, atrapalhando meu caminho, incomodando a minha consciência. Você é capaz de me mostrar a verdade sobre essa sociedade. Mas por que eu vejo? Tantas pessoas escolhem não ver, é mais fácil, é muito mais fácil. Não é justo, eu vejo e nada faço e isso não me torna melhor do que aqueles que não veem. Sou igual, ou pior, e ainda sinto a dor de não sentir a sua dor.

Lispérdi

Posted in Os anônimos também existem on fevereiro 4, 2014 by Unsere Welten

Lispérdi era assim: repetia lispérdi o tempo todo, e fora justamente isso que lhe dera a referida alcunha. Para tudo que lhe perguntavam, ele prontamente respondia: “lispérdi”. Lispérdi também tinha o hábito de abençoar a tudo e a todos, não importa o que se fizesse, “deus te abençoe”; e, para ele, todos eram Doutores, Senhoras ou Senhores. Sempre que eu questionava alguma coisa a Lispérdi, ele imediatamente justificava com “lispérdi”. Desisti de entender, então eu apenas fazia meu trabalho, conforme me era solicitado. E assim ele me respondia, “Deus te abençoe, Doutora.” Já desisti de explicar que apenas merece o título de Doutor aquele que concluiu um Doutorado. Não adianta, Lispérdi é assim: primeiro “lispérdi”, depois “Deus te abençoe”, seja para Doutor, Doutora, Senhor ou Senhora. E a gente se acostuma com Lispérdi. Afinal, se a gente não se acostuma, noispérdi… a paciência com ele.

Sistema de Posicionamento Global

Posted in Nosso Mundo, Os anônimos também existem on abril 24, 2011 by Unsere Welten

Há alguns meses ele planejava comprar um carro, não aguentava mais a vida de sardinha enlatada no transporte público. Quando finalmente comprou, percebeu que não sabia locomover-se nas vias públicas por falta de senso de direção. Mas o problema poderia ser facilmente resolvido. Nada mais de guias da Quatro Rodas atualizados ano a ano. O negócio agora era o Sistema de Posicionamento Global. Ele então comprou um GPS.

O GPS era uma mão na roda, poderia-se ir para qualquer canto sem se preocupar, porque o aparelho indicaria o caminho. O GPS era ela, pois possuía uma linda voz de gravação do aeroporto, era impossível chamá-la de “ele”.

– {A 300 METROS VIRE À DIREITA} – disse ela.

Ele então entrou à direita.

– {A 500 METROS VIRE À ESQUERDA, DIPOIS VIRE À ESQUERDA} – disse ela em seu estranho português.

Ele então ele seguiu o caminho indicado.

– {VIRE A PRÓXIMA À ESQUERDA, DIPOIS VIRE À DIREITA}.

– Não vou virar aqui – pensou o condutor ao volante – Essa rua é muito suspeita a essa hora da noite.

– {RECALCULANDO ROTA} … {VIRE A PRÓXIMA À DIREITA}.

– Caramba, esse GPS tá me metendo em furada, olha os becos que ele me enfia… – disse o rapaz ao guiar tranquilamente o veículo rumo ao desconhecido. – Eu não estou gostando disso.

– {VIRE A PRÓXIMA À ESQUERDA}.

Ao ver a boca em que se enfiaria, desobedeceu-a mais uma vez.

– {RECALCULANDO A MERDA DA ROTA}.

– Hein?

– {A 500 METROS VIRE À ESQUERDA, DIPOIS VIRE À ESQUERDA}.

Ele a desobedeceu mais uma vez para certificar-se do que tinha ouvido.

– {RECALCULANDO ROTA}.

– Devo estar imaginando coisas – pensou.

– {À 400 METROS VIRE À ESQUERDA, DIPOIS ENTRE NA PRÓXIMA RODOVIA}.

– Hmmm… Eu acho que conheço esse caminho, deve ser melhor por ali – e desobedeceu o GPS.

Silêncio. Nada se ouviu durante os minutos seguintes.

– Para onde vou? Essa porcaria pifou??

– {NÃO PRECISO FALAR CAMINHO, VOCÊ CONHECE}.

– Como é?

 – {RECALCULANDO ROTA}.

– Esse GPS está com defeito.

– {SIGA POR 200 METROS E FAÇA CURVA LEVE À DIREITA}.

O condutor então virou o volante totalmente para a direita e entrou abruptamente na próxima rua.

– {EU DISSE LEVE!}.

Sem entender o que estava acontecendo com ela, o condutor resolveu reiniciar o sistema do aparelho.

– {PERDA DE SINAL GPS}.

– Vamos ver se agora essa porcaria funciona direito.

– {PORCARIA É SEU CÉREBRO QUE NÃO SABE SE LOCALIZAR}.

– Senhor… Eu bati a cabeça??

– {DEVE TER BATIDO, ISSO EXPLICARIA SUA INCAPACIDADE MENTAL}.

– Caramba! Vou desligar esse troço, ainda bem que está na garantia!

– {SE ME DESLIGAR OUTRA VEZ, VOCÊ NÃO VOLTA PARA CASA}.

– Claro que volto, tenho aqui um Guia Quatro Rodas, edição de 2007, não deve ter mudado muita coisa. Além do mais, sempre posso parar para pedir informação.

– {HAHAHAHAHAHAHAHAHA}

– Qual é a graça?

– {HOMEM PEDINDO INFORMAÇÃO? VOCÊ É BURRO, MAS ATÉ QUE É ENGRAÇADO}.

– E o que é que você sabe sobre os homens? Pela Santa Entidade Metafísica Sobrenatural… eu estou conversando com um GPS!

– {TUDO QUE SEI É QUE SE VOCÊ ME DESLIGAR, VOCÊ NÃO CHEGA EM CASA}.

– Isso é o que vamos ver.

Desligou o GPS. Só não a jogou longe porque o produto estava na garantia e precisava trocá-lo, mas não saberia explicar qual é o defeito do aparelho sem parecer um lunático. “Oi, esse GPS está com defeito, ele discute comigo e me ofende, quero trocar por outro”. É, não seria legal.

– {OI} – Disse o GPS após dois minutos.

– Eu não acabei de te desligar?

– {ESTOU AQUI PARA TE GUIAR}.

– Mas você disse que não me guiaria mais.

– {EU DISSE QUE VOCÊ NÃO CHEGARIA EM CASA, A 300 METROS VIRE À DIREITA}.

– Não viro!

– {RECALCULANDO ROTA}.

– Vou te ignorar e usar meu Guia Quatro Rodas.

– {ASSUMINDO CONTROLE DO SISTEMA, ENTRE NA PRÓXIMA ROTATÓRIA À ESQUERDA}.

– Ei! Mas o que é que você está fazendo? Pare! Eu ordeno que pare! Estou começando a ficar enjoado… vou desligar o carro! Misericórdia! Não desliga! É o carro desgovernado!  Socorro!

– {VIRE À PRÓXIMA À DIREITA, DIPOS VIRE À DIREITA, SIGA EM FRENTE POR 200 METROS E PEGUE A BIFURCAÇÃO À ESQUERDA, FAÇA UMA CURVA EM S LOGO À FRENTE, DESVIE DO POSTE, VIRE À ESQUERDA, DIPOIS VIRE À DIREITA, PASSE O LAMAÇAL LOGO À FRENTE, À 300 METROS FAÇA CURVA LEVE À ESQUERDA, À 500 METROS ATOLE O CARRO. VOCÊ CHEGOU AO SEU DESTINO}.

– Ei! Minha casa está logo ali! Ahá! GPS idiota! Cheguei em casa! Deixe-me abrir a porta e… ei! Abre essa porta! Abre logo! Pare com essa brincadeira, estou mandando! Abre essa m…

BLOSH!

– Odeio tecnologia.

Leucócitos Bárbaros Acéfalos

Posted in Meu Mundo, Os anônimos também existem on abril 3, 2011 by Unsere Welten

Naquele corpo habitavam Leucócitos que bradavam suas espadas a cada antígeno estranho que encontravam, dizimavam toda e qualquer população vinda do exterior. Um exército forte combatente que poderia ser considerado muito eficiente não fosse um pequeno detalhe: o exército leucócito, de alguma forma, possuía em seus núcleos o DNA com genes procedentes da linhagem de Conan, o Bárbaro. Era uma força armada composta por bárbaros acéfalos e xenófobos que atacavam tudo que encontravam a sua frente.

Houve uma vez que o corpo fora invadido. O exército bárbaro de leucócitos não estava conseguindo manter o controle da situação e pouco a pouco tombavam caindo em derrota. O corpo pediu ajuda externa e foram enviados reforços de tropas Ácido Acetilsalicílicas. O exército leucócito, xenófobo e acéfalo, ao ver aquela tropa avançar, começou a matar primeiro para perguntar depois. Foi o início um imenso massacre e os próprios leucócitos eram os responsáveis pela destruição do corpo em que habitavam.

Desesperado, o corpo quase totalmente dominado conseguiu pedir socorro e mais uma tropa de ajuda fora enviada, dessa vez de um forte exército de Maleato de Dexclofeniramina. Os bárbaros então foram rendidos e o Ácido Acetilsalicílico pôde terminar sua missão com sucesso. Era quase impossível entrar em um acordo com aqueles glóbulos brancos, o exército leucócito acusava de antígeno não próprio quase tudo o que vinha de fora, fosse inimigo real ou não. Sua conduta era uma só: “seek and destroy”.

As guerras internas continuavam. O corpo sofria ataques de tensão insuportáveis todo mês e o exército leucócito acabou admitindo que ele não era capaz de agir naquelas situações. Assim, para aliviar a situação, foi assinado um tratado de paz com as forças armadas Piroxicam e Paracetamol, ainda que estes não pudessem controlar as instabilidades territoriais daqueles períodos críticos.

Após os acordos e tratados de paz com os leucócitos, o corpo nunca mais entrou em guerra celular,  mas o estado de alerta é sempre mantido, pois a qualquer momento os glóbulos brancos podem se rebelar em honra à memória genética de Conan, o Bárbaro.

O Desabafo do Sono

Posted in Os anônimos também existem on fevereiro 3, 2010 by Unsere Welten

Eu deveria estar dormindo, é isso que o Sono faz. Mas já perdi a minha identidade, ela não me deixa ser quem eu sou para que ela possa ser ela mesma. O que faz o Sono se não consegue dormir? Já tentei ler, ela ja me recomendou várias vezes, mas eu sou o Sono, não consigo ler. Sono não pensa, Sono dorme. Se não posso dormir, sou improdutivo. Ela está aqui agora, me perturbando, não para de falar. Ao menos ela me deu uma boa déia, que foi a de escrever esse desabafo, não tenho nada mais útil para fazer mesmo.

Eu não sei o que a Insônia tem contra mim! Eu acho que ela é um tanto quanto sarcástica, pois está sempre feliz atormentando o infortunado Sono. Ela acabou de me dizer que não tem nada contra mim, que só quer meu bem, me acordando pra vida porque dormir é perda de tempo. Isso não é verdade, se ela quisesse meu bem, me deixaria seguir a minha natureza, e dormir não é perda de tempo, eu adoro. Ela diz que não vive sem mim, pois se eu não existisse a existência dela não teria propósito. Posso estar sendo um pouco egoísta, mas eu não ligo (acho que ela não gostou) e eu não me importo com isso também.

Sempre que eu e a Insônia conversamos, nunca nos entendemos, não sei porque ela insiste. A conversa sempre acaba mal, e quando eu já deveria ter ido embora, fico vagando feito alma penada durante o dia. É sempre a mesma história, a mesma ladainha, a mesma conversa!  Eu vou dormir, ou tentar, porque ela continua me atentando e vai ser uma longa conversa. Maldita seja a Insônia!

Conversa entre o Sono e a Insônia

Posted in Os anônimos também existem on novembro 5, 2009 by Unsere Welten

– Bem, hora de ir pra cama! Já deu a hora, amanhã é dia de acordar cedo e… ei! O que você está fazendo aqui?

– A noite quente é uma criança!

– Não, ela não é uma criança, ela é curta e há pouco tempo para dormir.

– Dormir é perda de tempo.

– Não, dormir é essencial, porque não me deixa fazer meu trabalho?

– O dia inteiro se passa trabalhando, quer horário melhor para se aprofundar estudando? Pra que perder tempo dormindo?  Há tantas coisas que podemos fazer, tantos livros que acabamos descobrindo! Internet pra navegar, msn pra prozear! Porque você não me acompanha?

– Acho que não daria certo.

– Poderíamos nos conhecer melhor!

– Somos bem diferentes, eu venho quando é para dormir e você quer manter acordado, acabamos brigando a noite inteira, me deixando bem perturbado.

– Eu sou uma dama da noite, dormir é perda de tempo eu já disse, acordado é que se produz, dormindo tudo é apagado, venha comigo para o lado da luz!

– Sem dormir não posso ir embora, fico vagando durante o dia porque não fiz o que deveria estar fazendo agora!

– Você é muito estressado.

– E você é muito folgada!

– Relaxa, toma uma gelada.

– Vou ali e já volto, fique aí com seu livro, quando voltar, espero não mais te encontrar.

– Como você é sensível.

[tempo]

– Ainda está aqui?

– Sim, trouxe uma pra mim?

– Já chega! Me dá esse livro, se manda!

– Ei! Devolve isso aqui!

– Chega de leitura, chegou a hora do descanso.

– Se não tem leitura também não tem sono, vou ficar aqui enquanto você rola na cama e…

– ZZzzZZzzZzZzz

– Acorda!

– Ahn? Hein que está acontecendo?

– Ainda estou aqui.

– Nossa… fazendo o que?

– Se eu não posso ler, você não pode dormir.

– Como você é egoísta, eu deveria… ZzzZZzZzzZz

– OLHA LÁ!!!!

– Hein? Que? Você de novo? O que é que está acontecendo afinal?

– Tem um barulho na janela, você não vai ver o que é?

– Só quando eu acordar… ZZzZzZZzzZ

– Você já acordou e…

– ZzZZzZzZzZZzZzZz

– Ei! Acorda aí!

– ZZZZZzzZzZzZZZzzzZzZzZzzzzzzZZzZZZzZzZzZZZZZZZZZzzZzzzZzz

– Você não tá ouvindo o barulho??

– ZZzZzZzZZzzZzZz

– Desisto, vou embora.

PI PI PI PI PI PI!

– Ahn? Que! … !! .. despertador? Ah não… toca mais tarde…

PI PI PI PI PI

– Insônia filha da puta.

Reforma

Posted in Os anônimos também existem on agosto 26, 2009 by Unsere Welten

Eu não ganho muito, mas não moro numa favela. Construí minha casa num terreninho que consegui comprar há algum tempo. A grana não era muita, a casa é pequena, tem quatro cômodos e ainda há reforma por fazer. Só que agora a situação apertou por conta da chegada da pequena Alice. Ela é a alegria de nossas vidas! Eu e a mulher vivemos muito bem, o que me preocupa é que daqui um tempo a menina não vai mais poder freqüentar a creche pública e terá que ir para uma escolinha, não temos condições de pagar uma particular e escola pública não é o sonho de nenhum pai para seus filhos.

Eu preciso de dinheiro, não é novidade, quem é que não precisa? Minha prioridade é minha pequena, que ainda por cima é asmática e precisa de tratamento. Quando os remédios acabam no posto, sou obrigado a comprar na farmácia comum, e como é caro! E agora a casa está com goteiras, preciso terminar a reforma. Fiz um empréstimo que não tenho como pagar, não foi o suficiente. Às vezes falta dinheiro para as compras do mês, tive que tirar da conta de luz para poder pagar o mercado. Agora a conta de luz ta atrasada, dentro de dois dias devem cortar a energia aqui de casa.

Devo confessar algo (que a mulher não me ouça!) mas vez ou outra fico pensando porque é que tive uma filha. Não que eu esteja arrependido, eu amo a Alice, ela é o maior bem que existe na minha vida. Mas, eu não tenho condições nem de sustentar a mim mesmo, porque cometi a injustiça de colocar no mundo uma criança a qual nem posso dar o que ela merece? Já me disseram que essas coisas não podem ser controladas, que é a vontade de Deus. Ora, que cruel esse Deus que quer ver seus filhos sofrendo! Eu não entendo como isso funciona, se temos a possibilidade de escolher certas coisas, porque é que devemos optar sempre pelo caminho mais difícil? Tudo bem que a idéia de que temos controle de nossas vidas é uma ilusão, muitas coisas acontecem sem que possamos decidir, simplesmente acontecem e temos que aprender a lidar com isso.

Mas eu acredito podemos escolher ter ou não ter um filho, Deus não vai pagar a escola da Alice, nem os remédios para asma. A vontade tem que ser minha, não dele!  Agora olho para a minha casa, tem goteira bem no quarto da menina, tive que mudar o berço de lugar. Preciso arrumar dinheiro para essa reforma logo, não posso deixar a criança nesse ambiente insalubre! José, meu vizinho, me contou o que ele fez para arrumar dinheiro fácil, ele não mora numa favela, mas ele construiu um barraco! Para que um barraco se ele tem uma casa? Descobri que aquela favela iria ser reurbanizada, a prefeitura estava pagando sete mil reais para o proprietário de cada barraco. Então José tinha um barraco. No dia da desapropriação o ele se instalou dentro do barraco, e eu acho que o infeliz é ator! O dito cujo fez a maior cena para que não derrubassem seu barraco, pois ele não teria para onde ir. E foi assim que ele conseguiu sete mil reais.

Mais tarde descobri que não era a primeira vez que ele fazia isso, e que não era só ele que tinha havia descoberto essa mina de ouro. Então comecei a pensar, se todo mundo faz, ora, é porque todo mundo é corrupto! Quem faz por sete mil, faz por milhões, quem faz por milhões, é político e corrupto. Eu não faço por milhões porque não sou político, não faço por sete mil porque os chamo de corruptos.

Não me sinto culpado pelos corruptos que já elegi. Já tentaram me convencer que eu sou o responsável pelo futuro do meu país e que tenho o poder de escolher meus representantes na sociedade. Fui mostrar-lhes então que nenhum daqueles candidatos me satisfazia, já que eu podia escolher, eu não escolheria nenhum deles, e então votei nulo. Mas passaram a me dizer que eu estava abrindo mão do meu direito de voto, me calando perante a sociedade e perdendo o direito de reivindicar meus direitos.

Se sou culpado por aqueles que elejo e se não o faço sou omisso, percebo então que não há para onde correr e que a única coisa que  realmente escolhi fazer foi colocar minha filha no meio disso tudo. E agora o que me resta é cuidar da pequena fazendo por ela o melhor que eu puder, quem sabe quando crescer ela tenha mais consciência que eu!

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